Relação Sono e DTM

 

Uma boa noite de sono é fundamental para o nosso bem estar, tanto físico como mental. Ter o sono prejudicado pode nos trazer malefícios, como por exemplo alteração de humor, causando danos sociais. A nossa estrutura física também acaba sofrendo alterações quando se tem uma má qualidade de sono, e segundo alguns estudos, há uma relação direta entre dor crônica e insônia.

Dois terços da população de pacientes com dor crônica relatam sono ruim (ou insônia) e fadiga. Isso acontece porque o paciente com dor crônica tem uma redução da eficiência reparadora do sono, ou seja, um déficit no sono reparador (sono reparador é o sono profundo, que nos traz a sensação de bem estar ao acordar, relaxa a musculatura, diminui a atividade sensorial, repara a nossa energia, memória e nossos neurônios). A privação deste sono reparador pode comprometer os sistemas de neurotransmissores dopamina, noradrenalina e serotonina, os hormônios do bem estar, e, a longo prazo, piora a frequência e intensidade da dor.

Mas e a má qualidade do sono, pode gerar dor? A longo prazo, sim. Um comprometimento no sistema neurotransmissor dos hormônios do bem estar acaba nos gerando estresse, que por sua vez pode gerar um desequilíbrio no sistema mastigatório, resultando em dor e desconforto na musculatura da ATM, gerando uma DTM. Um estudo feito nos Estados Unidos aponta que pacientes com DTM sintomática tem a qualidade de sono significativamente prejudicada.

Portanto, é importante o profissional da saúde avaliar a qualidade de sono de seu paciente para uma melhor abordagem terapêutica e, se necessário, encaminha-lo para o profissional adequado. Melhorar a qualidade de sono só irá trazer benefícios no tratamento dos distúrbios da ATM ou de outras dores. Orientações sobre a Higiene do Sono também são de extrema importância para os pacientes.

Higiene do Sono

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 30% a 45% da população mundial sofre com algum distúrbio do sono.

Para melhorarmos essa estatística, devemos nos disciplinar (ou orientar os pacientes) a ter um sono de qualidade, buscando alternativas para melhorar cada vez mais as preciosas horas de sono.

Medidas saudáveis para um sono de melhor qualidade:

  • Ter a quantidade ideal de horas de sono.

Essa necessidade é uma característica individual de cada pessoa, porém, a média da população adulta necessita de 7 a 8 horas de sono diário.

  • Ter horário regular para levantar.

O uso do despertador é o modo mais eficiente de forçar o surgimento de horários regulares para levantar, e consequentemente para adormecer, evitando o surgimento da insônia.

  • Desenvolver um ritual de sono.

Voce pode escolher o seu ritual: orar, escutar música, relaxar os músculos, tomar uma ducha ou ler um livro pode ajudar a conciliar o sono.

  • Criar um ambiente agradável.

Quarto escuro, evitar lugares barulhentos e, se possível, regular a temperatura. Evitar assistir televisão no quarto, pois a luminosidade da tela é acusada de instigar a insônia. É fundamental um bom colchão ou bom travesseiro. Evitar calor ou frio excessivos: temperatura abaixo de 17 graus causa sonhos desagradáveis e calor acima de 29 graus causa mais despertares e movimentação.

  • Não tomar bebida com cafeína a noite.

Café, chá preto, chimarrão, chocolate, guaraná e refrigerantes à base de cola, contém cafeína ou outras substâncias que são excitantes do sistema nervoso.

  • Cochilar, se necessário.

Pequenos cochilos de 10 a 15 minutos nos momentos de maior sonolência do dia, podem ser benéficos e até recomendados em algumas situações.

  • Não deitar após ter comido em excesso ou sem ter comido.

Todo tipo de incômodo orgânico ou físico contribui para o despertar súbito, evitando entrar em sono profundo.

  • Beber com moderação.

Evite bebidas alcoólicas à noite. O ciclo normal será alterado, o sono que se segue não é um sono normal. A respiração fica prejudicada, surgem roncos, despertares, sonhos desagradáveis. Além disso, o álcool cria dependência física e psíquica.

  • Não fumar.

A nicotina é ainda mais estimulante que a cafeína. Os fumantes tem dificuldade para dormir, despertam com facilidade e tem fases de sono profundo mais curtas.

  • Fazer exercícios regularmente.

Com vinte ou trinta minutos diários de prática de algum esporte, três vezes por semana, você alcançará sua meta de chegar na cama relaxado, tanto fisicamente quanto mentalmente. O melhor momento para realizar exercícios é início da manhã, final da tarde ou início da noite.

 

Referências: Sleep quality in temporomandibular disorder cases

sleepfoundation.org

cefaleias.com.br


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Fisioterapeuta com especialização na reabilitação de pacientes com Disfunções Temporomandibulares e Dor Orofacial. Pós-graduanda em Fisioterapia Traumato-ortopédica e Fisioterapia Desportiva. Instrutora de Pilates por amor à terapia através do movimento. Rio de Janeiro - RJ


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